Resoluções de ano novo – Consumo & Sustentabilidade
Permaneci impedido de postar nos meus blogs durante cerca de 20 dias, o que me deu tempo para pensar a respeito das famosas “resoluções de ano novo” no campo da sustentabilidade.
Olhando aqui e ali, conversando com as pessoas mais próximas, defini algumas. compartilho com vocês na esperança de que o controle social me faça levá-las a cabo:
1) quanto menos aditivos químicos, melhor: entre dois produtos alimentícios de qualidade similar, vou comprar aquele que tiver menos conservantes, acidulantes, flavorizantes e todos aqueles “antes”, além dos sorbatos e, é claro, do glúten.
2) quanto menos embalagens, melhor: as embalagens são um problema para a natureza devido à enorme quantidade delas que descartamos todos os dias. Sobre esse assunto, há um texto esclarecedor da jornalista Rachel Moreno aqui. Só para adiantar uma informação, as embalagens podem representar cerca de 50% do lixo doméstico. Por isso, entre dois produtos de qualidade semelhante, vou preferir aquele que tiver menos embalagem.
3) na dúvida, não imprima: pessoalmente falando, tenho o vício de preferir a leitura em papel, ao invés da leitura na tela do micro. Nesse ano, vou ler mais no meio digital, ainda que seja um daqueles PDFs extremamente interessantes de 250 páginas. Nesses casos, vou ler aos poucos. Demora mais, mas é um esforço válido.
4) mais barato é melhor? Eu sei que há uma crise financeira à espreita, sei que a grana sempre está curta, e tudo o mais… mas é necessário considerar se o mais barato não é um benfício transitório e egoísta. Por exemplo: móveis feitos com madeira certificada são mais caros. Mas de onde vem a madeira utilizada nos produtos “mais em conta”? Há como comprovar que elas não estão sendo retiradas ilegalmente da natureza? Se não houver, é melhor pensar duas vezes sobre a sua escolha.
5) na dúvida, não compre: para fechar, vale a pena questionar um pouco o consumismo instintivo. É necessário comprar mesmo?
Espero que assim eu possa ser mais sustentável. Certamente, o planeta agradece.
Add comment Janeiro 8, 2009
Carona Solidária – Vamos aderir?
Me impressiona a quantidade de veículos que vejo, todos os dias, cujo único ocupante é o próprio motorista. A situação é, no mínimo, incômoda.
É fato que o transporte público é ineficiente na maioria dos grandes centros. No Rio de Janeiro, por exemplo, a situação atual no Metrô é vergonhosa. No início e no final do dia, é como se as pessoas deixassem de lado aquilo que nos torna humanos – a capacidade de solidarizar-se. As pessoas se acotovelam para entrar nos vagões. Senhoras grávidas e idosos nem sempre são respeitados nesses períodos. E a companhia, hipocritamente, afirma que faz o melhor pelo usuário. Enquanto as sirenes de aviso da partida do trem soam, não é raro ver um segurança empurrando para dentro do vagão alguém que ficou entalado na porta que se fechou. Os ônibus, apesar de diversas melhorias, ainda continuam muito aquém do que poderíamos chamar de “confortáveis”. E também rodam lotados em grande parte das linhas operadas.
Para fugir dessa ineficiência, é crescente o número de pessoas que optam pela aquisição de um veículo e o utilizam no trajeto casa-trabalho. No entanto, da mesma forma que não há transporte de massa suficiente, também parece que em breve faltarão ruas para tantos veículos. A facilidade de crédito para comprar um carro gera problemas no escoamento do trânsito, isso sem considerar outra simplicações como, por exemplo, o aumento na emissão de gás carbônico para a atmofera, decorrente do aumento de veículos circulando.
Uma alternativa para amenizar o problema é a formação de grupos de carona solidária, por meio do qual colegas de trabalho, vizinhos ou outros grupos podem “otimizar” o uso dos carros. Considerando a quantidade de motoristas que andam sem companhia no trânsito, creio que uma adesão em massa a iniciativas como essa trariam impactos surpreendentes para o trânsito. Além do mais, surge assim uma nova oportunidade para a socialização. Num mundo individualista como esse em que vivemos, sempre é bom ter a oportunidade de fortalecer vínculos sociais.
Diversas instituições públicas já aderiram ou criaram movimentos semelhantes. Entre elas, o governo do estado de São Paulo, a Prefeitura de Vitória (ES), a Prefeitura de Manaus (AM), a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (MG), entre outras. Mas o poder público pode muito pouco se nós, cidadãos, não aderirmos à idéia.
Que tal?
Add comment Agosto 27, 2008
Comércio Justo – talvez falte só um empurrãozinho
Há muita gente que deseja saber se consome produtos de empresas eticamente responsáveis, preocupadas com seus fornecedores e clientes e com a sociedade. Se você é um desses, talvez seja hora de se engajar na discussão do Comércio Justo, uma iniciativa surgida nos anos de 1960 e que se propõe a estimular o desenvolvimento de relações comerciais mais éticas e transparentes, abertas à inclusão de novos produtores.
O comércio justo, ou Fair Trade, é hoje um movimento mundial, defendido por diversos movimentos civis e com adesão de milhares de empresas. Aqui no Brasil, onde diversos setores da Economia apresentam cadeias onde grandes empresas comercializam com pequenos produtores (e nem sempre de forma justa ou mesmo razoável), uma discussão como essa vem bem a calhar. Mais do que isso: o comércio justo pode ser uma alternativa para assegurar ocupação e renda, uma vez que dão ao produtor a certeza de que a sua atividades será remunerada na justa medida.
Talvez falte apenas um empurrãozinho para que o Comércio Justo ganhe mais força no Brasil. Simpatizantes e ativistas não faltam, talvez o desafio agora seja sensibilizar os meios de comunicação para a importância do tema.
Add comment Julho 20, 2008
E o governo “Pacotizou” os serviços bancários
Pois bem: o Banco Central obrigou os bancos a instituírem um “pacote padrão”, no qual são oferecidos os mesmos serviços, qualquer que seja a instituição. Mas, e daí?
O Banco Central estipulou uma série de serviços básicos, mas deixou a definição do valor da tarifa correspondente a cargo dos bancos. Não há obrigatoriedade de um mesmo serviço (extrato mensal impresso, por exemplo) custar a mesma coisa dentro do pacote padrão e em outras opções oferecidas pelo banco. O pacote, segundo alerta do próprio Instituto de Defesa do Consumidor, não foi satisfatoriamente concebio. E nem sequer há a expectativa de adoção em massa ao pacote, uma vez que apenas dois bancos o apresentam a um preço mais baixo do que as demais opções.
A intenção foi boa, mas o resultado é muito aquém do que se esperava.
Talvez o Banco Central tivesse mais sucesso se, ao invés de normalizar o pacote, obrigasse todas as instituições a adotarem uma mesma nomenclatura para os diferentes serviços oferecidos, deixando a escolha dos pacotes apropriados a cargo do consumidor.
Indo além em outra vertente: quem disse que temos liberdade para trocar de banco com facilidade, se descobrirmos que o nosso banco atual é mais caro do que outros? Quem recebe sua remuneração por meio de conta-salário sabe do que estou falando, pois sabe o transtorno que é quando você decide não ter conta no banco indicado.
Enfim: uma boa proposta trouxe um resultado medíocre que, muito provavelmente, vai figura no canto inferior esquerdo do material de propaganda da instituição. Se é que vai aparecer em algum lugar.
Add comment Maio 1, 2008
Lixo Zero – Supermercados – 5/9
Os supermercados são a perdição para quem deseja gerar lixo zero. Os produtos são embalados com materiais que nem sempre podem ser aproveitados (filme plástico, por exemplo, ou aquelas bandejas de isopor); muitos deles oferecem degustação em copinhos ou potes descartáveis, com colheres plásticas descartáveis e guardanapos; nem sempre há critério para o empacotamento das compras feitas, e com isso levamos conosco um adicional de sacolas e mais sacolas; e, finalmente, poucos supermercados abordam a questão a sustentabilidade, salvo quando participam de projetos de coleta de latas de alumínio.
Com base nesse problema, decidi apresentar algumas dicas para que todos possam ajudar na diminuição do lixo gerado:
- quanto menos embalagem, melhor;
- aproveitem as embalagens. Garrafas plásticas podem virar dosadores, vasos de planta e outras coisas. Com criatividade, tudo pode ser reutilizado;
- comprem quantidades razoáveis, para evitar que as coisas estraguem. No caso de embalagens tamanho família, o barato pode sair caro se metade do produto passar da validade;
- reduzam a utilização de sacolas plásticas ao máximo;
- sugiram aos seus mercados preferidos a criação de um programa de coleta seletiva;
- se há diferentes tipos de embalagens para um mesmo produto, busquem consumir aquelas marcas cujas embalagens possam ser reutilizadas ou, caso seja necessário o descarte, que seja o menor possível. Se o seu produto preferido não tem a melhor embalagem, mande uma sugestão para o fabricante;
- aproveitem ao máximo cada produto. Cascas de frutas e ovo, caroços de alguns legumes e frutas e outras coisas podem ser aproveitadas de uma forma benéfica para a sua saúde;
- por fim, compre o necessário. Comprando menos, voê gera menos lixo.
Lixo segregado: nenhum.
Lixo gerado: sacos plásticos, 2 garrafas de vidro, 2 guardanapos, 3 copos descartáveis.
2 comments Outubro 25, 2007
Lixo Zero – Recicladores – 4/9
Hoje, vou falar sobre iniciativas de reciclagem e de reutilização que são desenvolvidos no norte do país. Duas delas lidam com a questão ds garrafas PET, o outro diz respeito ao reaproveitamento de resíduos da indústria da madeira, que é muito presente na região.
Já pensou em construir uma casa enquanto ajuda a eliminar um resíduo que traz sérios problemas ambientais? É um dos resultados do projeto desenvolvido pela ULBRA de Manaus. A partir de uma garrafa PET, cimento e areia, estudantes universitários foram capazes de moldar um bloco para construção de casas. Vale a pena conferir.
O segundo projeto de reutilização do PET está sediado no estado do Amapá, no Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá – IEPA. Trata-se do RECICLAP, que utiliza garrafas PET, devidamente cortadas em fios, para a confecção de vassouras. Assim como o tijolo-PET, esse projeto tem contornos de ação para o desenvolvimento social (geração de renda) e ainda traz benefícios para o meio ambiente.
A última iniciativa é a utilização de resíduos de madeira para acabamentos de móveis, empreendida pela M. A. Hubner, micro empresa localizada em Paragominas, estado do Pará. A empresa utiliza pedaços pequenos de madeira, que normalmente são descartados pelas empresas, para a confecção de mosaicos e outros detalhes de acabamento dos seus produtos. Além de reduzir a quantidade de rejeitos da linha de produção, a iniciativa agrega valor traduzido em beleza.
Por enquanto, é só. À medida em que eu for descobrindo coisas novas, publico aqui.
Lixo segregado: zero (ainda em viagem)
Lixo gerado: embalagens plásticas de alimentos, guardanapos, copos descartáveis.
1 comment Outubro 24, 2007
Lixo Zero – Restrições – 3/9
O mês do Lixo Zero tem me mostrado, irrefutavelmente, como é difícil se preocupar com as questões relacionadas à sustentabilidade do planeta. Sinto-me, sinceramente, como uma pessoa que passa a apresentar uma deficiência física.
Na empresa onde trabalho, não há processo de coleta seletiva. Seria um lugar muito propício, pois o tempo todo lidamos com papéis, consumimos água e café em copos plásticos etc. Devo reconhecer que há um pequenino esforço, com a confecção de blocos a partir de folhas de papel que o pessoal da reprografia faz a partir de papéis que são encamihados para eles. Mas é só.
Confesso que me sinto um pouco como o cadeirante que, chegando a um determinado endereço, descobre que o edifício não tem rampa de acesso. Para agravar esse sentimento, hoje viajei a trabalho para fora do estado.
Quando retorno para a minha casa no final do dia, é perfeitamente cabível que eu separe alguns “lixos” que podem ser aproveitados. Também é possível, por exemplo, transitar com itens da minha casa que evitam o consumo e descarte de materiais (quando trago o meu almoço pronto em um pote plástico, por exemplo, deixo de pedir comida nos deliveries que entregam a refeição embalada em caixas). Hoje, não houve condições para fazer isso, pois a mochila já estava apinhada de bagagem e qualquer coisa seria um transtorno.
Chegando ao aeroporto, mais decepção: a Infraero também não apresenta nenhuma forma de coleta seletiva. Nem nas áreas de trânsito, nem nos guichês das companhias aéreas, nem nos estabelecimentos de venda. É como se a questão fosse irrelevante. Talvez seja para eles.
A situação se repetiu dentro do avião. Mas uma esperança surgiu: o encarte da solicitação do cartão de crédito TAM, contido na revista de bordo, é feito de papel reciclado. Aleluia!
Até agora, não falei em reduzir a geração do lixo. A questão é a excepcionalidade do dia, a preocupação com a mala e o fato de eu ficar alguns dias fora de casa. Apesar disso, me arrepio com a quantidade de coisas que utilizo e descarto.\
Lixo segregado no dia: nenhum (que derrota)
Lixo descartado sem segregação: guardanapos, copos plásticos, duas garrafas de água mineral, duas latas de alumínio, embalagem do serviço de bordo, papéis de bala.
Add comment Setembro 10, 2007
Lixo Zero – Dia em casa – 2/9
Passei o dia todo em casa com a minha namorada. Sem fazer compras, as preocupações com o Lixo Zero se resumem a separar o lixo entre aquelas coisas que podem ser aproveitadas e aquelas que não têm salvação.
Não sei se o fenômeno é comum a todos, mas percebo que em minha casa há quilos e quilos de papel. Olhando com atenção, nem mesmo sei por que razão boa parte dele está aqui. Os papéis obsoletos – e são muitos! – são separados em sacolas próprias, à espera do melhor destino.
O lixo de hoje consta de: pó de café, cascas de frutas e verduras passadas do ponto (um pouco mais de meio quilo). Se o ritmo continuar assim, creio que eu consiga encher a primeira sacola de lixo do mês em mais dois ou três dias. No entanto, uma mudança na minha rotina está programada para amanhã: viajo a trabalho e com isso tenho de esvaziar os lixos da casa. Além disso, o Lixo Zero não diz respeito somente ao lixo da minha casa: certamente, será um desafio para mim viajar gerando o mínimo de lixo.
Add comment Setembro 3, 2007
Lixo Zero – Difícil começo – 1/9
O sábado mal começou e a tarefa de reduzir a produção de lixo se mostrou bastante árdua. Explica-se: acordei na casa da minha namorada, num dia de comemoração de um aniversário. No total, 11 pessoas freqüentaram a casa. Muito embora eu possa ter levado a ferro e fogo a minha proposta, é inevitável que eu deva me conformar com os hábitos de terceiros (principalmente quando se é hospede deles).
Cumpri a minha parte: o único objeto que comprei por todo o dia foi uma garrafa de licor, embalada em uma caixa decorativa. A bebida será consumida, a garrafa vai se tornar um item de decoração (já adquiri alguns esmaltes vitrais para começar a fazer garrafas decoradas) e a caixa servirá de porta-algo (pelo tamanho e formato, pensei até em utilizar como um porta-espaguete). O lado ruim da coisa: não dispensei a sacola plástica, essa praga que está em todo lugar. Minha contribuição para a festa também foi uma lástima para a campanha: petiscos, pastinhas, parte do bolo. Todos contidos em embalagens que não não reaproveitáveis (somente a caixa do bolo era reciclável, mas fui omisso e não me dei conta de sugerir a separação do material).
No almoço de aniversário, recusei o uso de qualquer coisa descartável. Voltei para a minha casa, comi algumas frutas e iniciei o processo de separação dos lixos em algumas categorias distintas: basicamente, há o “lixo normal” e uma sacola para papéis rasgados.
O único lixo produzido (além daquele para o qual contribuí na casa da minha namorada) foram as cascas das frutas e um saco plástico que as continha (depois de jogar fora, fiquei pensando se ele não seria reciclável).
Pendências para os próximos dias:
- verificar a sistemática de coleta seletiva de lixo (sei que fazem aqui na rua, preciso ver as datas e condições para a coleta);
- pesquisar se embalagens plásticas são recicladas/reutilizadas;
- pensar numa forma de divulgar a campanha entre as pessoas que convivem comigo sem que eu passe por maluco!
Add comment Setembro 3, 2007