Consumo e Pensamento


Lixo Zero: Dia 19 – Retrofitting, ou “De volta para o Futuro”

Enviado em lixo zero por pjresende em agosto 22, 2010
Tags: , ,

Até o final dessa semana, trataremos de algumas tecnologias que, segundo estudos e propostas, colaboram não só para a redução do problema dos resíduos, mas também para a sustentabilidade do planeta. A primeira a ser discutida será o retrofitting, consjunto de técnicas construtivas muito comum nos Estados Unidos e na Europa, mas pouco aplicada em nosso país.

Por que um projeto sobre lixo vem propor a discussão do setor de construção civil? A resposta é simples: pelo volume que esse tipo de resíduo apresenta hoje. Segundo o site EcoDebate, no Rio de Janeiro por exemplo, cerca de 60% do total dos resíduos sólidos são provenientes da construção civil. No mesmo artigo, que estabelece uma relação entre o acúmulo de entulhos e a incidência de dengue no estado, afirma-se que é urgente e necessária a adoção de processos efetivos de reciclagem do entulho da construção civil. O assunto diz respeito à construção civil, ao ecossistema do lixo, à saúde pública etc.

Mas qual é a origem dos entulhos na construção civil? Podemos indicar três:

- material não-conforme;

- sobras de obra; e

- demolição de edificações antigas para a construção de novas.

É exatamente para minimizar essa última fonte de entulhos que se aplicam as técnicas de retrofitting. O termo abrange a aplicação de diferentes técnicas com o objetivo de resultar em uma maior eficiência na edificação, seja ela energética, ambiental, hidráulica etc. Tais técnicas podem ser aplicadas tanto em construções em pleno uso quanto em edificações abandonadas ou, no momento, impróprias para o uso adequado.

É aí que chegamos ao denominador comum entre o retrofitting e a redução dos resíduos: e se aplicarmos essas técnicas com vistas ao aproveitamento de fundações, pilares e outras instalações já existentes, ao invés de simplesmente “colocar abaixo” uma construção antiga para a elevação de uma nova?

A discussão tem ampla adesão em outros países porque um dos campos nos quais o retrofitting se aprofundou bastante foi na recuperação de edificações avariadas por terremotos e outras catástrofes naturais. Mas outra área de pesquisa pode ser muito útil na discussão do lixo: o retrofitting associado a projetos sustentáveis. Essas técnicas podem ser utilizadas com o objetivo de promover, por exemplo, a adaptação de estruturas para a implementação da coleta seletiva.

Se formos considerar um outro caso possível, o do recondicionamento de uma construção existente, o benefício é ainda maior. Imagine que você possa aproveitar boa parte de uma edificação de quatro pavimentos, já existente, para a construção de seis novos pavimentos com plena utilização do que já está construído? Imagine quantas toneladas de aço, tijolos, concreto e outros elementos serão economizados com isso!

Esse é um ponto central: mesmo sabendo que esse tipo de projeto é um ótimo candidato a promover a sustentabilidade ambiental, o aproveitamento da construção existente faz bem ao bolso! Sobre essa questão, o site Licita Mais afirma: O custo de uma reabilitação por retrofit é baixo, comparado ao de uma edificação nova. A modalidade gera uma economia mínima de 40% no valor do metro quadrado de construção, na comparação com o custo do metro quadrado de um projeto “zero quilômetro”. O prazo de execução também é menor nos projetos de retrofit, cerca da metade de uma obra nova.

Para quem quiser voar um pouco mais alto, ter uma visão panorâmica da questão, recomendo um artigo da Scientific America que trata de um ambicioso projeto de retrofitting voltado para o corte de emissões de gases poluentes na cidade de Nova York. A solução para isso? Retrofitting.

Essa pode ser a melhor forma de viajar “de volta para o futuro”: se você vivia numa edificação “moderna” há 30 anos, o retrofitting pode restituir essa condição.

Dica do dia:

O retrofitting abrange desde os projetos ambiciosos até coisas simples, como a atualização dos sistemas de controle de elevadores e de iluminação condominial. Leia a respeito e veja o que pode ser útil para você. Envolva o seu síndico ou vizinhos na discussão.

Lixo gerado:

Papel: cerca de 100g.

Plásticos: 3 sacolas.

Outros: areia de gato – cerca de 300g; embalagem tetrapak de leite – 1; lata de cerveja – 1; pote de iogurte – 1.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.