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Quem Sempre Paga o Pato?

Mal o novo Ministro da Defesa tomou posse, já tratou de fazer um primeiro alerta aos passageiros das companhias aéreas: prefere que haja longas filas por algum tempo, se isso for garantia da segurança no vôo.

Até aí, nada de mais. O raciocínio é o mais correto e apropriado para a situação de caos que hoje constatamos no transporte aéreo de passageiros no Brasil. Mas, infelizmente, o recado transparece que provavelmente o passageiro vai, mais uma vez, arcar com as conseqüências dos problemas das empresas.

Vejamos:

- depois do acidente da GOL, em 2006, os passageiros passaram a conviver com o conflito dos controladores de vôo com as autoridades. Qual o resultado? Atrasos nos vôos;

- as companhias aéreas foram acusadas de operarem com overbookings que causavam prejuízo generalizado aos passageiros. Apesar da ANAC ter coibido a prática, o tempo perdido dos consumidores é irrecuperável;

- durante  os primeiros seis meses do ano, os passageiros continuaram convivendo com atrasos decorrentes do problema com os controladores de vôo, com as obras no aeroporto de Congonhas e diversos outros fatores sequer identificados pelas autoridades competentes. Enquanto isso, o governo atuava de forma pusilânime, quando não fazia deboche dos problemas que os passageiros enfrentavam todos os dias;

- na semana passada, um avião da TAM explodiu depois de uma tentativa de aterrisagem mal-sucedida em Congonhas. O avião se chocou, por coincidência, com um edifício da TAM Express. Depois da comoção geral, o que sobrou foi uma onda de caos que causou transtornos a praticamente todas as companhias aéreas, ocasionando dezenas de atrasos e cancelamentos de vôos;

- as medidas anunciadas depois da tragédia trouxeram dois efeitos práticos: a expectativa de aumento nos preços das passagens aéreas e a redução na oferta de vôos, sem que isso resultasse na eliminação do risco de ocorrência de atrasos.

A pergunta é: quem está pagando o pato da crise aérea? A resposta é óbvia.

Os passageiros pagam mais caro, ainda não têm segurança para voarem nem a garantia do cumprimento dos horário e vôos das companhias aéreas. No lado das autoridades, ANAC, EMBRAER, INFRAERO e Aeronáutica continuam com os mesmos respectivos dirigentes que assistem o caos se arrastar desde setembro passado. E no governo, o único sinal de providências foi a retirada do Ministro da Defesa, Waldir Pires. Diga-se de passagem, este já estava  completamente impotente desde o episódio da queda do avião da GOL. Mesmo assim, era defendido pelo governo, em especial pelo presidente Lula.

Enquanto o amigo do presidente era resguardado de críticas e de ações mais enérgicas de terceiros, quem zelava pelos passageiros?

Ninguém. É por isso que nós sempre pagamos o pato.

Add comment Julho 27, 2007

Planos de Saúde – I

Pago meu plano de saúde religiosamente todos os meses. Aliás, há mais de 10 anos que pago planos de saúde. Creio que seja um dos poucos “luxos” a que me permito (ainda mais porque, durante boa parte desse período, tive o apoio do empregador que subsidiava uma parte do valor mensal, o que facilita essa regularidade).

Parei para pensar hoje no péssimo uso que faço desse serviço.  Há dez anos que só procuro um médico quando “me convenço de que estou doente”. Esse convencimento é um braço dado a torcer. Todos temos problemas de saúde com freqüência, mas eu só procuro um especialista quando tenho a certeza de que não conseguirei dar conta sozinho do problema. Dizem que é um comportamento típico dos homens, e que isso tem algo a ver com a evolução da raça humana, porque o homem precisava sempre ser forte, inabalável. Mas vou deixar essa discussão para outro momento e voltar aos planos de saúde.

As mulheres, de um modo geral, têm um comportamento muito mais regrado: fazem exames periódicos, marcam consultas por causa de inchaços, nódulos e outros sinais de possíveis problemas de saúde. Além disso, realizam auto-exames e têm menos constrangimento em comentar assuntos íntimos com amigas e familiares, compartilhando assim cuidados para a saúde. Entre os homens, por sua vez,  há raros indivíduos que façam exames periódicos quando têm menos de 40 anos. Obviamente, me enquadro na maioria. Pretendo mudar de atitude.

Por que mudar? Muito simples: porque estou pagando pelo plano de saúde, e pago o plano de saúde porque, teoricamente, me preocupo com o meu bem-estar.

Consumir de forma consciente não é uma atitude unicamente voltada para o meio ambiente ou para a comunidade.  Diz respeito também à forma pela qual nos beneficiamos com o consumo.

Afinal: se estou pagando, por que não deveria utilizar?

Já consultei a rede de atendimento do meu plano de saúde (que, por sinal, diminuiu desde a última consulta) para marcar algumas consultas periódicas. Recomendo a todos.

Add comment Abril 18, 2007

Consumo e Pensamento: Qual é a proposta?

Algumas vezes, já fui questionado a respeito do que vem a ser esse “consumo crítico” ou “consumo e pensamento” a que me refiro no blog.

Por isso, decidi apresentar um pouco melhor a minha proposta. Espero que eu consiga me expressar de forma clara a respeito do assunto.

Consideremos uma premissa: todos os organismos vivos (e a humanidade está incluída nesse grupo), ao longo de suas existências, estabelecem relações de consumo. Consumimos gases na respiração, consumimos fontes de energia, entre outras coisas. O consumo está intimamente ligado à satisfação de necessidades, e o conceito de “necessidades” pode variar: alimentação, entretenimento, afeto, prazer, reconhecimento público… A lista de necessidades pode variar de espécie para espécie. Por enquanto, acredito que seja razoável afirmar que o ser humano é a espécie com as mais variadas necessidades possíveis.

Com tantos seres humanos (já éramos 6 bilhões na última contagem, e não há expectativas de dominuição do número) e tantas necessidades, surgem dois problemas: 1) nem sempre há recursos suficientes para saciar a todos, o que gera a disputa entre os indivíduos (a disputa pode ser resolvida por meios variados, desde amigáveis leilões até lutas sangrentas); e 2) nem todos os seres humanos conseguem saciar suas necessidades da forma adequada (ou seja: sem prejudicar a terceiros ou sem degenerar/depredar aquilo que satisfaz a sua necessidade).

Há outros dois problemas, decorrentes das relações desordenadas de consumo: 3) algumas fontes de recursos podem der depredadas ou mesmo extintas devido a um consumo exagerado (o turismo desordenado em determinadas regiões, por exemplo, está provocando a extinção de espécies locais e resultando em depredação);  e 4) toda relação de consumo gera algum tipo de resíduo, e determinados resíduos podem ser prejudiciais à saúde ou à vida.

Nesse contexto, emerge a necessidade da discussão de formas de reequilibrar as relações de consumo. Surge então um conceito que é central para o Blog: o CONSUMO CRÍTICO. O que vem a ser esse tipo de consumo?

Imagine uma pessoa que consome indiscriminadamente tudo aquilo que lhe dá na telha. Suas atitudes não são nada sustentáveis: fuma, joga fora o lixo produzido sem qualquer forma de separação para fins de reciclagem ou reaproveitamento, dirige um carro desregulado, desperdiça água e energia elétrica. Como resultado, acaba prejudicando a sua comunidade e a si mesmo.

Esse indivíduo não é um ser mitológico: provavelmente, você tem vizinhos que se comportam dessa forma, talvez até você mesmo seja assim. Isso acaba por criar um “prejuízo” numa conta chamada “meio ambiente”, da mesma forma que um gasto desenfreado causaria prejuízo na sua conta bancária.

O problema é que, diferente de uma dívida com o banco, nem sempre o prejuízo ao meio ambiente é reversível. Pior: deve haver milhões, BILHÕES de pessoas com “saldos negativos” em relação ao meio ambiente.

O consumo crítico é uma proposta de, sem radicalismos, equilibrar um pouco essa conta. Certamente, não prego qualquer tipo de extremismo (como andar a pé para o resto da vida, a fim de eliminar o consumo de combustíveis fósseis), nem propostas descabidas (como assassinar todas as vacas do mundo a fim de reduzir a emissão de metano para a atmosfera).

A proposta do consumo crítico, e desse blog, é discutir formas de se consumir melhor e com mais responsabilidade, prejudicando menos o meio ambiente e, por conseqüência, oferencendo a possibilidade de todos nós usufruirmos ainda mais do planeta.

Mas não se resume a isso: abordarei o consumo num entendimento mais amplo: o dinheiro, o sistema financeiro, as políticas públicas, impostos, tópicos de sociologia e outras coisas podem ser objeto de discussões que resultem num entendimento melhor desse fenômeno que é o consumo.

Add comment Abril 12, 2007

Começo de Conversa

Bom, em primeiro lugar, saúdo a todos os visitantes do meu blog. Sejam bem-vindos, espero que gostem do que vão encontrar aqui.

 a proposta aqui é apresentar uma série de idéias a respeito do mundo atual sob uma perspectiva crítica. Tem de tudo: política, meio ambiente, segurança pública, negócios, gente…

 Minha idéia é trazer à tona alguns pensamentos meus a agregar as opiniões e contribuições, desenvolvendo conteúdo interessante e despertando a todos para a reflexão.

A chave do blog é essa: reflexão, a partir do que chamo de “pensamento crítico”. Considero a crítica como um processo de consolidar idéias por meio do debate. Criticar, ao menos aqui, não é sinônimo de falar mal, mas de dar solidez aos temas tratados por meio de um processo de “leitura-discordância-agregação de conteúdo intelectual”.

São todos convidados, desde já, a contribuir.

Add comment Março 26, 2007


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Rss - Consumo & Pensamento

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